Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Síndrome de Down

 

Quando cheguei a casa vinda da escola, fui buscar algo para comer e liguei a televisão. Para variar fiz zapping para escolher o programa que mais me agradava. Os quatro canais públicos têm uma “óptima” programação a esta hora, por isso, zarpei para os canais por cabo. Faço a voltinha do costume até que paro abruptamente na Sicmulher. Fiquei colada, imediatamente ao ecrã.

 

Deparo-me com uma mulher a falar cuja cara não me era estranha. De imediato, não me ocorreu quem era mas depois surgiu o nome em rodapé e surgiu um flash na minha mente. Era a S., uma colega minha de escola! Muito mais forte do que ela era mas com a mesma cara e cabelo, os mesmos lábios finos e nariz aguçado. Já não sei em que ano é que ela foi minha colega mas lembro-me que ela era uma miúda um pouco estranha. Muito comichosa com as suas coisas, uma mochila carregadíssima de tudo e mais alguma coisa, lambe botas dos professores, era franzina, vestia-se como uma adulta, tinha conversas e interesses diferentes dos próprios da idade. Era uma adulta em ponto pequeno. Não alinhava em nada com o resto do pessoal. Na altura já ela tinha um namorado de longa data. Não sei se se transformou no seu marido.

 

A S. estava no programa por causa da Síndrome de Down. Não acompanhei a conversa desde o início mas fiquei a saber que a sua segunda filha era portadora desta síndrome. Ao que me pareceu, não lhe foi detectado este problema durante a gravidez. Ela só ficou a saber que a sua bebé era “diferente” porque se apercebeu que todos estavam com demasiados cuidados com a criança. Ela estranhou tudo aquilo e exigiu saber o que se passava. Foi então que lhe expuseram o caso.

 

Contra factos não há argumentos. Ela aceitou a síndrome da bebé e não desanimou, nem baixou os braços. Procurou informação sobre o assunto para poder ajudar a criança o mais cedo possível. A menina tem neste momento dois anos e é uma criança bastante desenvolvida. É acompanhada nas Diferenças que é óptima!

 

Gostei imenso de ver a S. a falar sem mágoas ou reservas quanto ao problema da sua filha. Gostei muito de saber que ela não encarou o problema como uma tragédia mas sim como uma etapa nova da sua vida.

Não é fácil encararmos uma realidade destas. Todos temos o sonho de termos um bebé perfeito, lindo e rechonchudinho. Mas nem sempre é assim. E às vezes nem mesmo com 500 ecografias e análises e medições se conseguem detectar determinados problemas.

O choque deve ser enorme. Ninguém está preparado para receber a notícia de que o seu bebé não corresponde àquilo que tanto ansiámos e desejámos durante nove meses.

 

E quando é diagnosticado este problema durante a gravidez? O que fazer? Prosseguir com a gravidez? Interromper? Já se ama tanto aquele bebé. Mas estamos preparados para encarar este problema para o resto da vida? Psicológica e emocionalmente somos fortes o suficiente?

 

Admiro as mães que nunca baixaram os braços e partiram à descoberta deste novo desafio que é criar uma criança “diferente”. Que não desistiram dos filhos e buscaram apoio para lhes dar o melhor possível para torná-los autónomos e os integrar numa sociedade, ainda discriminatória, que é a nossa.